terça-feira, 22 de maio de 2012

Eles estão atravessando as paredes...

   Acordou. Estava no chão a duas quadras de casa. Levantou-se ainda tonta e foi olhar seu reflexo no vidro de um carro que estava pouco a frente. Ela conhecia aquele carro, e conhecia também a grama que estava deitada. Mas não se lembrou. Foi para casa. Tudo, aparentemente, estava no lugar onde deixara. Passou um café e acendeu um cigarro, como fazia mecanicamente todas as manhãs. Deu a última tragada, apagou o cigarro e o jogou no vaso de flor da varanda. Hibiscos. "Já estão morrendo mesmo..." 

   Sentiu o cheio da flor e seus sentidos mais aguçados. Estava confusa. Subiu as escadas, que tinham um espelho no teto, e viu uma espécie de vulto. Capa azul-marinho "ele" vestia. Assustou-se. Olhou para trás e não viu nada. Reparou nos quadros na parede, que antes tinham suas fotos. Gritou e correu! Aquela não era sua cama, nem mesmo sua camisola jogada em cima dessa. "Eu não fumo Carlton!" Desceu as escadas correndo, abriu a porta e jurou que viu outra pessoa. Correu ainda assutada, passou por um casal de guarda-chuvas que não existia, por uma criança na rua que não existia... 

   Viu-se no local que acordara, e gritou.